Texto acadêmico analisando a coleção “Os Cientistas”

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Trecho de artigo científico do INTERCOM da área de comunicação sobre a coleção “Os Cientistas” e também publicado na revista Em Questão, Vol. 11, No 2 (2005) (reproduzido com autorização do autor):

Abril Cultura (1968-1982) e o desenvolvimento do mercado de fascículos, coleções e enciclopédias durante a Ditadura Militar

Mateus H. F. Pereira (UFMG – UEMG)

 A dinâmica editorial de uma coleção em fascículos: Os Cientistas.

Através da existência de um documento privado sobre uma coleção – Os Cientistas: a Grande Aventura da Descoberta Científica – consegue-se perceber a dinâmica da editora e da produção em fascículos. Essa fonte visava à comercialização da obra no exterior e contém detalhes sobre a produção editorial. Afirma-se que cada número de Os Cientistas era formado por três partes, a saber: a) fascículo; b) kit e c) manual de instruções. A coleção completa era constituída por cinqüenta fascículos e cada um era colocado nas bancas a cada quinze dias, desde trinta de maio de 1972. O primeiro número sobre Isaac Newton continha um kit com experiências sobre as leis do movimento.

Os fascículos, depois de removida a capa, poderiam ser encadernados para formar uma coleção de três volumes, que seria comercializada neste formato também. Os fascículos eram constituídos de dezesseis páginas internas mais quatro capas, totalizando 20 páginas impressas, em quatro cores. A terceira e a quarta capa possuíam uma aba adicional, para que o fascículo embalasse o kit. Cada fascículo tinha aproximadamente 24 ilustrações, a maioria em cores, cobrindo quase 45% da área impressa. A pesquisa iconográfica teria sido feita em vários países e aproximadamente 40% do material nunca teria sido publicado. A coleção completa tinha mais de mil e duzentas ilustrações. Os textos de Os Cientistas foram escritos sob supervisão de professores ligados essencialmente a USP.

O Grupo Abril é apresentado como sendo a maior da América Latina: “Estamos totalmente integrados: editamos, publicamos, imprimimos e distribuímos revistas, fascículos e livros numa faixa de aproximadamente 16 milhões de cópias por mês. Publicamos 37 revistas, já lançamos 32 coleções de fascículos (no momento há 12 delas nas bancas), além de livros escolares e de interesse geral. Empregamos mais de 7.000 pessoas, e nossas publicações cobrem todo o Brasil (15.000 pontos de venda). A partir de 1971, iniciamos a exportação de nossos fascículos, em espanhol, para toda a América Latina e Espanha. Em 1972, nosso faturamento será de aproximadamente US$ 80.000.000”. O maquinário do projeto foi definido, segundo a fonte já citada, com expectativas de volume muito grande de produção. Vários componentes foram criados para o projeto. Foi encomendado, por exemplo, o plantio de sementes especiais para o Kit de Mendel. A coleção completa fornecia um laboratório básico, contendo mais de 500 itens, incluindo um microscópio. O lançamento desta coleção em fascículos representou um investimento, por parte da Abril, de US$ 3,5 milhões. Foram gastos US$ 300.000 em publicidade e promoção. Os kits chegaram às bancas com o preço de capa de US$ 2,50, nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, sendo que em 15 dias 175.000 unidades foram vendidas. As vendas totais para o Brasil seriam de aproximadamente 280.000, já que o lançamento nos outros estados aconteceria mais tarde. Mesmo com preço de capa cinco vezes maior que o dos fascículos normais, as vendas teriam superado as expectativas. O documento convida os interessados na coleção a verem o stand da Abril na feira de livros de Frankfurt. O jornal Le Figaro teria considerado Os Cientistas a “grande surpresa” da feira. Em 1973, a obra já havia sido traduzida para o Inglês, Alemão, Espanhol e Turco. Os pensadores iluministas, pelo menos os mais “ingênuos” ou liberais, acreditavam que quanto mais a humanidade viesse a conhecer as realidades sociais e materiais, mais seríamos capazes de controlá-las, os seres humanos poderiam tornar-se não apenas os autores, mas os senhores de seu próprio destino. O Iluminismo baseavase na suposição de que o aumento do conhecimento possibilitaria um aumento do controle dos destinos dos homens, ou seja, mais conhecimento, mais controle. No entanto, a modernidade e a razão iluminista criaram novos tipos de incertezas e inseguranças. Esta concepção de mais conhecimento, mais controle, estão expressas de forma clara no documento para a comercialização de Os Cientistas. Nota-se, em certas passagens de Os Cientistas: a Grande Aventura da Descoberta Científica, uma crença inabalável na ciência: “Temos que formar as mentes de nossas crianças, de forma que estejam aptas a obter por si mesmas a informação atualizada de que precisarem, (…). Ao idealizar Os Cientistas, nosso propósito foi o de munir pais e professores com um novo instrumento para ajudá-los na (…) tarefa de desenvolver uma atitude científica em seus jovens. (…).” (Grifo no original).

O texto ainda destaca que a contribuição da coleção é que ela possibilitava a difusão e popularização do conhecimento e do material científico: “ O que é realmente novo em Os Cientistas é que, pela primeira vez, material científico estará disponível para centenas de milhares de leitores a custos extremamente baixos, e numa apresentação encantadora.”

Texto na íntegra:

http://www.seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/viewArticle/120

PEREIRA, Mateus. H. F. . Abril Cultural (1968-1982) e o desenvolvimento do mercado de fascículos, coleções e enciclopédias durante a ditadura militar. In: XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2005, Rio de Janeiro. XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2005.


Uma resposta to “Texto acadêmico analisando a coleção “Os Cientistas””

  1. ola tenho todas as caixas faciculos e capas volumes a maioria completa alumas coisas estao extragadas pelo tempo

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